As altas temperaturas típicas do verão favorecem a proliferação de bactérias em alimentos armazenados de forma inadequada e elevam os registros de intoxicação alimentar em todo o país. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada dez pessoas no mundo sofre algum episódio do problema a cada ano, índice que cresce no período mais quente devido ao consumo de refeições fora de casa, em praias, viagens e eventos ao ar livre.
O gastroenterologista e professor do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Vagner Kopereck, explica que a associação entre calor e manuseio incorreto dos alimentos é o principal fator de risco. “O calor acelera a deterioração dos alimentos e cria condições ideais para bactérias como Salmonella, Escherichia coli e Staphylococcus aureus. Por isso, é fundamental redobrar a atenção com refrigeração e procedência”, afirma.
Sintomas e cuidados
Os primeiros sinais de intoxicação costumam aparecer entre duas e seis horas após a ingestão do alimento contaminado, mas podem surgir até dois dias depois. Entre os sintomas mais frequentes estão náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarreia, febre e mal-estar geral.
Na maioria das vezes, o quadro se resolve em até três dias, desde que o paciente mantenha hidratação adequada. Crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa devem receber atenção extra, pois a perda de líquidos pode levar à desidratação e exigir atendimento médico imediato. Casos severos, com febre alta ou sangue nas fezes, podem precisar de hospitalização; o uso de antibióticos deve ser feito apenas com prescrição médica.
Medidas de prevenção
Para reduzir o risco de contaminação, o especialista recomenda:
- Manter carnes, laticínios, molhos e maioneses refrigerados até o consumo;
- Evitar alimentos crus, como peixes e ovos, em locais de procedência duvidosa;
- Lavar frutas e verduras em água corrente e deixá-las de molho em solução clorada por 15 minutos;
- Cozinhar bem carnes e ovos, garantindo que não permaneçam partes cruas;
- Descartar alimentos com cheiro, cor ou textura alterados;
- Dar preferência a água mineral e evitar gelo de origem desconhecida;
- Higienizar as mãos antes das refeições e após usar o banheiro.
Atenção redobrada fora de casa
Durante o verão, cresce a procura por refeições prontas em restaurantes, lanchonetes e quiosques. Nesses locais, o médico orienta observar as condições de higiene e armazenamento, além de evitar produtos expostos por longos períodos. Em praias, a recomendação é optar por alimentos leves, embalados individualmente.
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A hidratação também é fundamental para a recuperação do organismo. Água, sucos naturais, água de coco e chás claros ajudam a repor líquidos e eliminar toxinas. “No calor, o corpo já perde mais água naturalmente. Quando há vômito ou diarreia, a reposição deve ser imediata para prevenir complicações”, ressalta Kopereck.
Com cuidados simples de higiene e conservação, é possível aproveitar a estação sem comprometer a saúde.
Com informações de Webrun



