Pesquisas nacionais e internacionais apontam o exercício físico regular como estratégia eficaz para combater distúrbios do sono, problema que atinge entre 70% e 72% dos brasileiros em 2025, segundo dados do Vigitel, do Ministério da Saúde e da Associação Brasileira do Sono.
Panorama do sono no país
O levantamento indica que 20,2% dos moradores de capitais dormem menos de seis horas por noite, enquanto 31,7% apresentam sintomas de insônia. Em São Paulo, a dificuldade para dormir foi relatada por 28% dos homens e 34% das mulheres; no Rio de Janeiro, por 26% e 37%; e em Belo Horizonte, por 22% e 36%. Maceió registra o maior índice feminino: 46% das mulheres relatam ao menos um sintoma de insônia.
Estudos comparativos mostram que quem dorme menos de seis horas soma desempenho cognitivo semelhante ao de pessoas sob efeito de álcool, especialmente em tarefas que exigem atenção.
Impacto na expectativa de vida
Pesquisa da Vitality revela que um sono regular e de boa qualidade pode reduzir de 24% a 31% o risco de morte prematura, acrescentando de dois a quatro anos à expectativa de vida.
Resultados de programas de atividade física
Levantamento da plataforma Fortalece, especializada em saúde e bem-estar, identificou que a prática estruturada de exercícios diminui episódios de insônia, reduz o tempo para adormecer e amplia a sensação de descanso restaurador. Em programa de sete semanas com profissionais da educação, participantes registraram aumento de 12,9% na autoavaliação da qualidade do sono.
O fundador da Fortalece, Marcos Rinaldi, explica que a atividade física regula o organismo ao reduzir o cortisol, melhorar a sensibilidade à insulina e favorecer a liberação de melatonina. “O exercício ajuda a alinhar o relógio biológico e prepara o corpo para o descanso”, afirma.
Benefícios comprovados
Meta-análise com mais de 8.600 voluntários publicada no PubMed relaciona a melhora do sono à queda de 63% nos sintomas de depressão, 51% na ansiedade e 42% no estresse. Outra revisão, de 2025, indica que modalidades como yoga, caminhada e tai chi aumentam o tempo total de sono e reduzem a latência para adormecer em pacientes com insônia.
Imagem: Adobe Stock
A Organização Mundial da Saúde recomenda ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, parâmetro associado a maior eficiência do sono e menor uso de medicamentos hipnóticos em casos leves de insônia.
Reflexos no ambiente de trabalho
Empresas e órgãos públicos têm adotado programas de bem-estar para conter os efeitos da privação de sono na produtividade. Prefeituras do Paraná relatam queda nas faltas após implantação da plataforma Fortalece entre servidores da educação. Em Mamborê, o prefeito Sebastião Antônio Martinez afirma que a iniciativa melhorou o clima organizacional; em Campo Mourão, a ex-secretária de Educação Tânia Caetano registrou feedbacks positivos desde 2017.
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concedeu 4.126.110 benefícios por incapacidade temporária em 2025, alta de cerca de 15% em relação ao ano anterior. Dores nas costas lideram os afastamentos.
Para Rinaldi, a combinação de tecnologia, acompanhamento e constância transforma o exercício em hábito. “Muitas pessoas buscam soluções complexas para um problema ligado à criação de pequenos hábitos”, conclui.
Com informações de Webrun



