A necessidade de planejar treinos que levem em conta as particularidades fisiológicas das mulheres vem ganhando destaque entre profissionais de saúde. Médicas e fisioterapeutas alertam que flutuações hormonais, principalmente de estrogênio e progesterona, modificam metabolismo, força, resistência, estabilidade articular e tempo de recuperação, exigindo adaptações constantes nas rotinas de atividade física.
De acordo com a médica e educadora física Clarissa Rios, CEO da rede de estúdios personalizados DoctorFit, a falta de progressão planejada e o monitoramento insuficiente de carga, descanso e sintomas transformam o treino em fator de estresse, reduzindo a eficácia a longo prazo. “Sem critérios objetivos de ajuste, o exercício deixa de ser estímulo adaptativo”, ressalta.
A fisioterapeuta Jéssica Ramalho, que dirige a empresa de cuidados domiciliares Acuidar, acrescenta que o corpo feminino não responde de forma linear ao esforço. “Há períodos de maior tolerância e outros que pedem ajustes mais precisos. Ignorar isso compromete evolução e segurança”, afirma.
A abordagem individualizada torna-se ainda mais relevante para mulheres com endometriose, em tratamento ou recuperação de câncer de colo do útero e para as que atravessam o processo de envelhecimento. Nessas condições, a atividade física assume função terapêutica, auxiliando no controle da dor, preservação da mobilidade e manutenção da independência, segundo Ramalho.
Modalidades recomendadas
As especialistas citam dois métodos cuja adaptação ao corpo feminino potencializa os resultados:
Treinamento hipopressivo
Baseado em técnicas respiratórias e posturais, promove ativação do core profundo e do assoalho pélvico sem aumentar a pressão intra-abdominal. O trabalho reforça a estabilidade lombopélvica, melhora a postura e reduz sobrecargas internas, benefícios importantes em fases de variação hormonal, como a tensão pré-menstrual.
Imagem: Divulgação
Isometria terapêutica
Consiste em contrações musculares sustentadas sem movimento articular, permitindo controle minucioso da intensidade. A modalidade favorece ganho de força com baixo estresse estrutural, indicada em períodos de sensibilidade hormonal, dor pélvica ou inflamação. A previsibilidade do estímulo facilita a adesão e a recuperação, tornando o treino viável no médio e longo prazo.
Segundo Clarissa Rios, resultados consistentes e seguros dependem de prescrição fundamentada em indicadores clínicos e funcionais. Já Jéssica Ramalho reforça que incorporar o exercício a um plano de cuidado individualizado é essencial para preservar qualidade de vida ao longo dos anos.
Com informações de Webrun



