Uma revisão sistemática da literatura internacional reuniu as evidências mais recentes sobre lesões na corrida e concluiu que a maioria dos problemas decorre da forma como o treinamento é conduzido, e não de fatores isolados, como tipo de tênis ou terreno. O material foi resumido por especialista da área de medicina esportiva.
Excesso de carga é o maior vilão
De acordo com o levantamento, aumentos bruscos de volume, intensidade ou frequência de treinos elevam significativamente o risco de lesões musculares, tendíneas e ósseas. O corpo precisa de tempo para adaptar tecidos; quando essa progressão não é respeitada, a chance de falha aumenta.
Histórico de lesão amplia vulnerabilidade
Corredores que já se machucaram apresentam probabilidade maior de nova ocorrência, especialmente se retomam a rotina antes de concluir a reabilitação. Alterações estruturais e neuromusculares podem persistir e deixar o tecido mais suscetível quando a carga volta a crescer.
Recuperação insuficiente compromete desempenho
Fatores de estilo de vida, como privação de sono, fadiga acumulada e estresse, diminuem a capacidade de absorver impacto e prejudicam o controle neuromuscular, reforçando o risco de sobrecarga repetitiva. Segundo a revisão, não se trata de falta de disciplina, mas de limites fisiológicos.
Biomecânica e força modulam o risco
Déficits musculares, assimetrias e padrões de movimento ineficientes não causam lesões sozinhos, porém intensificam o problema quando combinados a excesso de carga. Avaliações específicas ajudam a detectar essas falhas antes que evoluam para dor.
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Check-up esportivo é peça-chave de prevenção
O trabalho reforça a importância do exame médico esportivo para avaliar saúde cardiovascular, histórico clínico, composição corporal, força, mobilidade e resposta ao treinamento. Identificar pontos frágeis no início da temporada — prática estimulada pelo movimento Janeiro Dourado — permite planejar metas realistas e progressões seguras.
A conclusão dos autores é clara: lesões na corrida são multifatoriais, progressivas e, na maior parte dos casos, evitáveis. Ajustar a demanda ao que o corpo suporta e agir preventivamente são as principais estratégias para começar — e terminar — o ano sem interromper a rotina de treinos.
Com informações de Webrun



