Realizar séries de musculação até o ponto em que não é mais possível completar uma repetição com boa técnica — prática conhecida como “treino até a falha” — não oferece resultados superiores ao treinamento feito com uma ou duas repetições de reserva e ainda aumenta o risco de lesões. A conclusão aparece em revisão de estudos conduzida pelos pesquisadores brasileiros Sanmy Nóbrega e Cleiton Libardi, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Segundo os autores, levar o músculo ao limite de contração concêntrica exige grande esforço do sistema nervoso central e pode desencadear overreaching não funcional, condição em que há queda ou estagnação de desempenho por semanas e recuperação prolongada.
Fora do meio acadêmico, profissionais de saúde reforçam o alerta. A fisioterapeuta clínica Aline Leite explica que a fadiga excessiva provocada por sessões repetidas até a falha compromete a execução adequada dos movimentos e, com o tempo, torna-se prejudicial ao sistema musculoesquelético.
Abordagem mais segura
Para o treinador Lucas Florêncio, da rede Smart Fit, séries realizadas com técnica correta e uma repetição em reserva oferecem hipertrofia semelhante, demandam cerca de metade do tempo de recuperação e reduzem o perigo de sobrecarga articular. O profissional recomenda trabalhar com a estratégia de “Repetições em Reserva” (RIR) e reservar a falha para situações específicas.
Quando usar a falha
Tanto Leite quanto Florêncio reconhecem que o método pode ser útil a atletas avançados que buscam romper platôs. Nesse caso, as orientações são:
- Aplicar a falha preferencialmente em exercícios isolados, como rosca direta ou cadeira flexora.
- Evitar a técnica em movimentos multiarticulares complexos, a exemplo de agachamento livre e levantamento terra.
- Utilizar o recurso de forma esporádica, como na última série de um grupamento muscular ou em semanas de intensificação antes de um período de recuperação.
Para iniciantes, a recomendação é evitar completamente o treino até a falha, devido à maior chance de perda de qualidade técnica e de compensações biomecânicas durante o aprendizado dos movimentos.
Imagem: Divulgação
Florêncio sugere divisões de treino do tipo push, pull e legs, nas quais a falha é empregada apenas em exercícios que oferecem maior estabilidade, como máquinas de peito, crucifixo invertido e cadeira extensora, preservando articulações e reduzindo o estresse no sistema nervoso.
Com diretrizes baseadas em evidências e na prática clínica, especialistas recomendam cautela ao adotar o treino até a falha, priorizando sempre a técnica correta, a periodização adequada e a recuperação completa para minimizar lesões e otimizar resultados.
Com informações de Webrun



