Corrida de rua favorece saúde mental, mas não dispensa acompanhamento terapêutico, dizem especialistas

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A prática regular de corrida de rua contribui para reduzir sintomas de depressão e ansiedade, porém não deve ser vista como substituta da psicoterapia, afirmam profissionais de saúde mental.

De acordo com o psiquiatra Eduardo Perin, formado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a atividade física é “um recurso muito valioso”, mas não alcança objetivos exclusivos da terapia, como elaborar traumas, rever padrões de pensamento e lidar com conflitos, luto ou culpa.

Diretrizes internacionais

O National Institute for Health and Care Excellence (NICE), órgão britânico que estabelece protocolos de saúde, reconhece o exercício em grupo — a corrida incluída — como opção terapêutica principalmente para quadros leves de depressão. Em situações moderadas ou graves, as recomendações indicam acompanhamento mais próximo, incluindo psicoterapia.

Comprovação científica

Estudos citados por Perin mostram que exercícios aeróbicos, como caminhada e corrida, além de práticas como yoga e treino de força, reduzem sofrimento emocional. Qualquer modalidade que a pessoa consiga manter na rotina tende a impactar positivamente o humor.

A American Psychiatric Association também destaca que a atividade física pode potencializar efeitos de sessões terapêuticas e medicamentos. Em casos leves, o exercício chega a ser uma das principais formas de cuidado, mas, segundo o especialista, o uso mais seguro é como complemento: enquanto a corrida melhora humor, sono, energia, cognição e saúde física, a terapia aborda as causas do sofrimento.

Riscos de compulsão

Embora traga benefícios, o exercício pode se tornar compulsivo. Perin alerta que o problema surge quando a pessoa corre não apenas por prazer ou saúde, mas para evitar sentimentos negativos como culpa, ansiedade ou angústia. Esse padrão pode estar associado a transtornos de ansiedade, estresse, depressão ou distúrbios alimentares.

Sinais de alerta incluem desespero ao faltar um treino, insistir em correr mesmo lesionado ou usar a atividade para não pensar ou não sentir. A corrida é considerada positiva quando melhora humor, sono, rotina diária e relações pessoais, além de permitir que o praticante fale sobre suas emoções.

Com informações de Webrun

Jefferson Lima
Jefferson Lima
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