São Paulo – Classificada como doença crônica e multifatorial, a obesidade não se resume a um cálculo de “entradas e saídas” calóricas. O endocrinologista Ricardo Barroso, integrante da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional São Paulo (SBEM-SP), responde a 11 questões frequentes sobre o tema e mostra por que o processo de emagrecimento depende de muito mais do que força de vontade.
Disciplina não explica tudo
Barroso destaca que apetite, saciedade e metabolismo sofrem influência de fatores biológicos e ambientais. Por isso, culpar o paciente que não alcança o resultado esperado é equivocado.
Contar calorias tem limites
Ao perder peso, o corpo tende a gastar menos energia e a estimular a fome, mecanismos que dificultam a continuidade do emagrecimento mesmo diante de dieta e atividade física.
Hormônios na linha de frente
Substâncias produzidas pelo tecido adiposo, como leptina e adiponectina, bem como hormônios intestinais ligados à saciedade, regulam o peso corporal. Alterações nesse sistema após ganho de peso tornam a redução do quilo extra mais trabalhosa.
Metabolismo sofre alterações
Resistência à insulina, níveis elevados desse hormônio e inflamação crônica favorecem a formação de gordura e criam um ciclo que agrava o quadro metabólico.
Efeito sanfona tem explicação fisiológica
O organismo tende a “lembrar” o peso mais alto já atingido e, ao detectar perda de massa corporal, reduz o gasto calórico basal enquanto intensifica a sensação de fome.
Influência genética
Polimorfismos hereditários respondem por mais da metade dos casos de obesidade. Há registros raros de mutações únicas, mas o padrão mais comum envolve múlticas variações genéticas somadas ao ambiente.
Resposta individual às dietas
Sexo, idade, fase da vida e quadro clínico fazem com que a mesma estratégia alimentar funcione de forma diferente em pessoas com Índice de Massa Corporal semelhante.
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Aspecto psicológico pesa
A frustração gerada pela desaceleração da perda de peso pode abalar a motivação. Compreender a complexidade da doença ajuda a evitar culpa excessiva e a manter o tratamento.
Medicamentos não são atalho, e sim ferramenta
Segundo o médico, fármacos podem ser essenciais, especialmente nos graus mais severos de obesidade, atuando em conjunto com mudanças de estilo de vida.
Ambiente obesogênico
Menor gasto energético no dia a dia, oferta abundante de ultraprocessados e fatores sociodemográficos contribuem para o aumento de peso. Além disso, quando o excesso de peso se torna comum ao redor, tende a ser encarado como natural.
Pequenas perdas já trazem ganhos de saúde
Reduzir 5% do peso corporal melhora indicadores como sensibilidade à insulina e triglicérides. Perdas entre 8% e 10% beneficiam a pressão arterial e o risco cardiovascular. As metas devem ser individualizadas.
Barroso reforça que a combinação de abordagens – nutricional, comportamental, medicamentosa e, quando indicada, cirúrgica – é fundamental para enfrentar a obesidade e manter resultados em longo prazo.
Com informações de Webrun



