A queda de rendimento durante treinos de corrida nem sempre está ligada à preparação inadequada. Deficiência de ferro, mineral essencial para o transporte de oxigênio no sangue, pode ser a causa de fadiga antecipada, segundo o nutricionista clínico e esportivo Ayrton Correa.
Exames laboratoriais são peça-chave
Para identificar o problema, Correa recomenda avaliação periódica que inclua hemograma completo, ferritina, ferro sérico, transferrina, saturação da transferrina, vitamina B12, ácido fólico, vitamina D, além de TSH e T4 livre para verificação da tireoide. Proteína C reativa (PCR) é solicitada para contextualizar processos inflamatórios e evitar interpretações equivocadas da ferritina. Dependendo do histórico do atleta, também entram nos exames creatina quinase (CK), glicemia, insulina e perfil lipídico.
Mulheres correm risco maior
Entre praticantes da modalidade, atletas do sexo feminino apresentam probabilidade mais alta de deficiência de ferro. As perdas menstruais, somadas à demanda elevada de treino e, por vezes, ao menor consumo de carne, intensificam o quadro. A baixa disponibilidade energética (RED-S) agrava o cenário.
Impacto da corrida no estoque de ferro
O esporte em si pode contribuir para a redução das reservas do mineral. Correa cita a “hemólise do corredor”, processo em que o impacto repetitivo dos pés no solo destrói hemácias. Há também perdas pelo suor, urina e microlesões no trato gastrointestinal após sessões longas ou intensas. O exercício ainda eleva a hepcidina, hormônio que diminui a absorção de ferro no intestino.
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Suplementação exige orientação
A reposição só deve ocorrer com comprovação laboratorial de deficiência ou risco aumentado, destaca o nutricionista. Níveis baixos de ferritina já prejudicam o desempenho esportivo mesmo antes de surgir anemia. A ingestão por conta própria pode causar desconforto gastrointestinal, constipação e sobrecarga no organismo, reforça o especialista.
Com informações de Webrun



