Consumo de álcool atrasa recuperação e freia desempenho de corredores, diz nutricionista

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Beber após o treino pode comprometer a evolução de quem corre, alerta a nutricionista esportiva Eleonora Galvão, do Instituto Nutrindo Ideais. Segundo a especialista, o álcool interfere em vários processos indispensáveis à recuperação muscular, hidratação e adaptação do organismo ao esforço físico.

Impacto imediato na recuperação

Terminada a atividade, o corpo inicia a reposição de glicogênio, o controle de inflamações e a recomposição hídrica. O álcool contraria esse ciclo ao:

  • Reduzir a síntese de proteína muscular, prolongando o reparo das microlesões causadas pelo treino;
  • Atuar como diurético, favorecendo a perda de líquidos justamente quando a hidratação é fundamental;
  • Dificultar a reposição de glicogênio, tanto pelo efeito metabólico quanto pela mudança no apetite e na qualidade da alimentação pós-exercício.

O resultado prático, afirma Eleonora, é uma recuperação mais lenta e a sensação de maior desgaste no dia seguinte.

Efeitos hormonais e inflamatórios

O consumo de álcool eleva o nível de inflamação do organismo, prejudica a consistência dos treinos e ainda afeta a regulação hormonal. Em homens, pode haver queda de testosterona; em mulheres, alterações no equilíbrio hormonal. Ambos os quadros favorecem aumento de gordura corporal, redução de massa magra e dificuldade adicional para se recuperar entre as sessões de corrida.

Dose segura? Não há consenso

A nutricionista enfatiza que não existe uma quantidade considerada segura para quem busca melhorar desempenho. A resposta ao álcool varia de pessoa para pessoa: alguns sentem os efeitos com doses mínimas, enquanto atletas recreativos que bebem esporadicamente e longe de treinos intensos podem notar menos impacto. “Se o objetivo é evoluir, o álcool vira um competidor direto”, ressalta.

Como a bebida atrapalha o sono

Embora um drinque possa induzir sonolência inicial, o efeito posterior é prejudicial. O álcool diminui o tempo em sono REM, fragmenta as fases profundas e aumenta despertares noturnos. Esses fatores reduzem a liberação do hormônio do crescimento, essencial para a reparação muscular. Além disso, eleva a frequência cardíaca e piora a variabilidade cardíaca, indicadores importantes de recuperação.

Para corredores, o sono é parte integrante do treinamento. Comprometê-lo significa retardar adaptações, ampliar a fadiga e, consequentemente, limitar ganhos de performance.

Com informações de Webrun

Jefferson Lima
Jefferson Lima
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