A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) publicou nesta terça-feira, 28 de abril, o Plano de Segurança e Emergência em Corridas de Rua, documento incorporado ao Anexo III da Norma 7. A recomendação, resultado de amplo debate conduzido pelo Grupo Corrida Segura, foi aprovada pelo Conselho de Administração da entidade em 15 de abril e oficializada pela Nota Oficial 089/2026.
Diretrizes para organizadores
O plano estabelece procedimentos operacionais e preventivos destinados aos organizadores de provas de rua, com foco na proteção à integridade física dos participantes. As orientações seguem padrões da World Athletics (WA), do Comitê Olímpico Internacional (COI), da American Heart Association (AHA) e de protocolos internacionais de segurança.
O texto salienta a necessidade de atuação conjunta entre organização, equipe médica e atletas, atribuindo ao corredor a responsabilidade primária por sua condição de saúde e preparo físico.
Cooperação institucional
A elaboração do documento ocorre após mais de um ano de discussões iniciadas com o Termo de Cooperação Mútua firmado entre CBAt, Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (ABRACEO) e Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE). O objetivo é conscientizar atletas profissionais e amadores sobre cuidados de saúde, reforçar a segurança nas provas e fortalecer o sistema de permits concedidos pela WA, pela CBAt (Selos Ouro e Prata) e pelas 27 federações estaduais (Selo Bronze).
Diretor Médico obrigatório
Entre as principais recomendações, está a nomeação de um Diretor Médico para eventos com Permit Bronze, Prata ou Ouro; a exigência é obrigatória para provas que buscam certificação da WA. O Anexo III informa os requisitos de qualificação para esse profissional.
Planejamento detalhado da prova
O Diretor Médico, em parceria com o organizador, deve elaborar um Planejamento Detalhado e Individualizado considerando percurso, distância, número de participantes, vias públicas, altimetria, hospitais de referência, temperatura e umidade previstas. O documento completo é exigido para Selos WA, Ouro e Prata, e pode ser adaptado para Permit Bronze.
Esse planejamento deve ser enviado até 30 dias antes do evento e contemplar:
- postos de hidratação em intervalos regulares;
- unidades móveis de atendimento (ambulâncias, motos de emergência, equipes de suporte);
- desfibriladores externos automáticos (DEA) em pontos estratégicos;
- staffs e socorristas posicionados para rápido acesso a hospitais de referência;
- rotas viárias que garantam chegada ágil aos serviços de saúde.
O plano também detalha comunicação, treinamento de pessoal, pontos críticos de risco e estrutura de atendimento médico.
Imagem: Divulgação
Recursos mínimos e check-list pré-prova
Embora normas municipais prevaleçam, o anexo define parâmetros como quantidade mínima de DEAs, ambulâncias e profissionais conforme o porte da corrida, além da realização de vistoria de percurso. A recomendação inclui acordos de cooperação com secretarias de Saúde, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.
Atletas de elite e emergências em massa
Para provas com atletas de elite, o documento segue orientações da WA e do COI, prevendo corredor exclusivo nos 100 m iniciais, ambulância UTI dedicada e área de aquecimento isolada. Também há procedimentos para controle de emergências em massa.
Divisão de responsabilidades
O Anexo III encerra esclarecendo que a segurança e o bem-estar dos participantes dependem da atuação integrada de organizadores, Diretor Médico, equipes técnicas e atletas, cada qual dentro de suas competências.
As Loterias Caixa e a Caixa Econômica Federal permanecem como patrocinadoras máster do Atletismo Brasil.
Com informações de Webrun



